31/1/09
Primeiro poema de 2009.
Quem nunca sentiu o vazio que domina espaço maior do que aquele que ocupamos?
E quem nunca se sentiu, assim, apenas mais um no mundo?
É normal.
Eu, qualquer?
Demonstrações explÃcitas, mas não promÃscuas,
de afetuosidades agudas e palavras cuja densidade
profunda traduz o sentimento de trivialidade
dentro de mim.
As veias de meu pescoço agora comportam-se
como árvores a contemplar, sem consciência disto,
qualquer ocorrência, sempre efêmera para quem, tão
banalmente sentido, observa.
E trivial, agora, eu sou. Tão comum quanto qualquer um.
Tão inerte quanto qualquer pomba atropelada,
tão ágil quanto qualquer sopro de ar e
tão eficaz quanto qualquer inutilidade prostituÃda.
Sensação de banalidade vital tamanha à exponência
do desespero encrustado em meu peito, antÃtese dos
momentos de vegetatividade mental, de acordo, assim,
com o despreenchimento inerte e irracional que tanto me
vitima a trivialidade onipresente.
A certeza dos sentimentos comuns, superficiais e
igualmente efêmeros a quaisquer gotas de chuva, tão sem
poesia quanto as demais que outrora caÃram em tantas nucas
diferentes, mas semelhantes na certeza da vida condenada aos
enormes e pouco distantes momentos de sensação pacata,
inerte, comum, sem graça.
E as gotas de chuva, após caÃrem,
esperam, mais uma vez, sem entusiasmo,
por futura evaporação, retornando à origem
de um ciclo de vida tão ordinariamente
comum e parecido com o ciclo de vida das
sensações e sentimentos humanos.
Indico o filme As Horas, de Stephen Daldry.
criado por abc3037622
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